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Mudanças climáticas com a guerra Rússia x Ucrânia

  • oexplorador
  • 11 de nov. de 2024
  • 3 min de leitura

Atualizado: 11 de nov. de 2024

Imagem: Shutterstock

É fácil ver que a guerra na Ucrânia está ligada ao clima de muitas maneiras. O agressor é um estado baseado no petróleo, cujo futuro econômico depende de que o mundo continue com suas emissões de carbono, sem restrições. Da mesma maneira, a dependência europeia do petróleo e do gás da Rússia está por trás de conversas sobre como acelerar a adoção de energias limpas.


O aquecimento global poderá provocar uma mudança significativa no mapa da agricultura brasileira, gerando a redução de áreas produtoras e prejuízos econômicos de cerca de R$ 7,4 bilhões em 2020 e de R$ 14 bilhões em 2070.


O agronegócio pode ser diretamente afetado pelo conflito, por depender de componentes usados em fertilizantes. O acesso a esse insumo estaria resolvido para o plantio da safra atual das principais culturas da agricultura brasileira, como a soja e o milho. A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, já disse que o Brasil tem estoque suficiente de fertilizantes até o início do plantio da próxima safra, em outubro. Por sua vez, a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda) estimou a duração dos estoques em três meses. Para Borges, um aumento nos custos com a compra de fertilizantes é dado como certo, mas se o conflito entre Rússia e Ucrânia se prolongar pode levar à escassez do insumo. No Brasil, problemas relacionados à safra podem ter efeitos sobre a atividade econômica até 2023.


A Ucrânia é um importante fornecedor de grãos e milho para o planeta. Por isso, a invasão russa pode criar uma escassez de alimentos que irá acentuar ainda mais a fome em certos países da África, que já sofrem por causa de secas e falta de acesso a água potável.


A soja, principal produto agrícola exportado pelo país, com produção de cerca de 52 milhões de toneladas/ano e valor de produção de R$ 18,4 bilhões, conforme dados de 2006 do IBGE, poderá sofrer uma perda econômica de R$ 4 bilhões em 2020, resultado de uma redução de quase 24% da área apta para plantio no Brasil. As perdas podem chegar a R$ 7,6 bilhões em 2070, decorrente de uma diminuição de 40% da área apta para o plantio. A região que mais deve sofrer os impactos é a região Sul.



Para os professor e pesquisadores da Embrapa Eduardo Assad, métodos alternativos de lidar com a agricultura e a pecuária podem reduzir as emissões do setor e ajudar até mesmo a tirar da atmosfera os gases de efeito estufa, ajudando a diminuir o problema.

"O estudo permite identificar de que maneira a agricultura brasileira poderá ser atingida pelas mudanças climáticas. No primeiro momento, a situação poderá ser muito difícil de ser contornada. Entretanto, em função do grande conhecimento que o país tem hoje em relação às tecnologias em agricultura tropical, soluções biotecnológicas poderão ser adotadas para contornar os impactos nos próximos 20 anos".

 

Ainda segundo Assad "Paralelamente a isso, e visando reduzir as emissões de gases de efeitos estufa, ações de mitigação podem ser imediatamente adotadas, como a redução das queimadas e do desmatamento, adoção de práticas agrícolas altamente eficientes no sequestro de carbono como o plantio direto, e a integração lavoura e pecuária". Essas ações de mitigação, segundo ele, são talvez o maior diferencial que o Brasil tem hoje face as questões das mudanças climáticas. "O Brasil é um dos poucos, senão o único país do mundo com área e tecnologia capazes de ter escala na redução das emissões de gases de efeito estufa", complementou.



Referencia:

Jornal O Estado de São Paulo

DW Brasil

AFP Brasil

Portal UOL

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