Tradição com sentimento de saudade
- oexplorador
- 14 de nov. de 2024
- 2 min de leitura
Atualizado: 14 de nov. de 2024

O cardápio do Sul Mato-grossense tem se expandido a cada dia que passa, com a chegada dos mais distintos povos em solo pantaneiro. Quando falamos gastronomia em um estado que abriga uma pluralidade de temperos e gostos, fica difícil escolher apenas uma receita. Essa imigração de sabores tem ganhado espaço na mesa do Campo Grandense, agregando ainda mais, nas delícias que já podemos encontrar na região. Nessa gastronomia local, descobri uma receita chamada Caribéu, guisado de carne com mandioca, que foi criado pelos povos indígenas, os Terenas, tribo que vive principalmente no estado e que implementou muitas de suas receitas em nossa cultura, mantendo viva essa tradição dos antepassados.
Conheci Sílvia Regina Gonçalves de 53 anos, na comunidade Tia Eva, região humilde e populosa da cidade. Dona Rê, como gosta de ser chamada, me convida para entrar em sua casa simples, porém, muito aconchegante. Conhecida no bairro por sempre cozinhar nos eventos da igreja, ela me conta que tenta manter a tradição de juntar a família, que é grande. Percebo na varanda uma mesa de madeira, impossível de não ser notada pelo tamanho.
Com aparente saudade estampada no rosto, Dona Rê compartilha que a escolha da receita para ela, traz saudades, “Lembrei da minha falecida avó Cida, que Deus a tenha, me ensinou ainda pequena a preparar o prato que fiz questão de manter como tradição nos almoços com a minha família”.
Nascida no interior do estado, Sílvia se mudou para a capital quando tinha 20 anos e formou sua família. Aqui, aprendeu a preparar de outras formas o Caribéu, assim como a fazer também o prato que virou favorito de muitos por aqui, conhecido como sobá.
“Campo Grande, assim como Mato Grosso do Sul, ainda não tem uma culinária bem definida como alguns outros estados brasileiros. Sofremos muita influência dos outros estados e países vizinhos, como Paraguai e Bolívia”, me conta o chefe de cozinha Leonardo Zornitta Corradini, que atua há mais de 6 anos na área e mora desde os 5 anos na capital. Ele ainda comenta que temos poucos pratos que são próprios, mas cita alguns exemplos deliciosos como a linguiça de Maracaju e o leitão no rolete.
A busca dos cozinheiros em encontrar um sabor que define a capital é intensa e já leva anos, “Hoje vejo que estamos caminhando para promover essa gastronomia local. Temos vários chefs renomados que estão levando essa bandeira à frente. Acredito que esse reconhecimento vai levar tempo e cabe a nós, cozinheiros, explorarmos e identificarmos essa culinária”, completa o chef Leonardo.
Talvez o sabor típico regional se define nessa mistura de receitas e tradições que cada sul
Mato-Grossense, seja de sangue ou de coração,carrega dentro de si essa experiência de sabores e coloca em prática em um almoço, com os amigos e familiares numa grande mesa de madeira.
